Produtor aposta em cultivo de lúpulo

Atividade é estimulada pela demanda crescente da matéria-prima na produção de cervejas

Além das culturas tradicionais como tabaco, grãos, leite, suínos e aves, a secretaria da Agricultura e Meio Ambiente estimula a introdução de novas alternativas no meio rural. Uma delas é o cultivo de lúpulo.

Conforme o secretário Adair Pedro Groders, o cultivo é novo, mas promissor em função da demanda pela matéria-prima por parte das indústrias para a produção de cerveja. “Auxiliamos, em parceria com a Emater, na orientação técnica e serviços como terraplenagem. É uma forma de estimular os jovens a empreender e garantir a sucessão”, entende.

Quem aposta na cultura é o casal Evandro André Bauer, 37, e Vanessa Tresoldi Schneider, 33. Eles queriam voltar ao interior, mas não para criar suínos, aves ou produzir leite. “A ajuda da secretaria e da Emater são fundamentais. Nos ajuda a esclarecer dúvidas, acertar detalhes durante toda fase produtiva, reduzir custos e nos motiva a ampliar a produção”, afirmam.

A ideia de cultivar o lúpulo surgiu de pesquisas feitas por Vanessa. Primeiramente, o objetivo era fabricar a própria cerveja artesanal. Diante da percepção da demanda do mercado, onde 99% da matéria-prima é importada e a parceria estabelecida com uma cervejaria de Bom Retiro do Sul, optaram por apenas produzir o lúpulo.

A estrutura erguida nos fundos de casa tem capacidade de acomodar 680 plantas, mas a meta é de no mínimo duplicar a produção nos próximos anos. O investimento chega a R$ 10 mil, calculando o serviço de máquina, análise de solo, preparo do terreno, compra de postes de concreto e mudas.

Clima ideal

Esta é uma das vantagens e deve garantir a oferta de matéria-prima com qualidade superior. Segundo Bauer, no auge, a partir do quarto ano, a planta deve produzir dois quilos.

Indica o plantio no início da primavera. A floração começa em dezembro e a safra na segunda quinzena de fevereiro. Durante o inverno a planta entra em dormência e rebrota em setembro. A cultura é exigente em umidade.

O casal trabalha para conseguir o certificado de Procedência e de Produção junto ao Mapa. “No futuro a meta é tornar o cultivo orgânico”, projeta.

Mercado promissor

Conforme o engenheiro agrônomo responsável pela orientação técnica, Marcus Outemane, o crescimento das cervejarias artesanais nos últimos dez anos desperta o interesse dos agricultores.

Em agosto foi criado o projeto Salva Hops onde é garantida a assistência técnica, desde o cultivo a colheita, além da compra do lúpulo, beneficiamento e venda da cerveja, gerando renda e oportunidades no meio rural.

As áreas cultivadas possuem de 30 até mil plantas. Outemane considera a cultura promissora. Além do interesse cervejeiro, temos que considerar a indústria farmacêutica, alimentícia, cosmética, entre outras, observa.

Foto e texto Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Forquetinha