Microverdes: gigantes em benefícios e sabor

Mini-hortaliças ganham destaque na mesa dos consumidores. Cultivados de forma orgânica, em espaços menores, utilizam menos insumos e possuem alto valor nutricional, além de estimular uma dieta saudável

A busca por uma alimentação cada vez mais natural, novos sabores e texturas, cria oportunidades no campo, a exemplo dos microverdes. Apesar de minúsculos no tamanho, são gigantes em benefícios à saúde.

Pioneiros na atividade no Vale do Taquari, os amigos Carlos Emilio Vieira da Silva e Tiago Belin, de Lajeado, arrendaram um sítio em Forquetinha para iniciar o cultivo em 2019. Entre as espécies estão: rúcula, repolho, repolho roxo, girassol, trigo, rabanete, cenoura, brócolis, alho poró, linhaça dourada e marrom, ervilha, cebolinha, chia, amaranto, acelga, coentro, ervilha, radite e manjericão.

Segundo Carlos, engenheiro de Aquicultura e cursando mestrado em Ambiente e Desenvolvimento, os microverdes consistem em plantas tenras e jovens, colhidas entre 7 e 21 dias após a germinação.

“São versões em miniatura de hortaliças, vegetais e ervas aromáticas. Estão na segunda fase de desenvolvimento, logo após o broto, primeiro estágio das plantas. O tamanho varia entre 5 a 12 cm”, explica.

Duram de 7 a 10 dias na bancada da cozinha ou na geladeira. Para colher, basta segurar a planta pelas folhas e cortá-la rente ao substrato. Vale lembrar que os microverdes não se regeneram e seus diferenciais estão no alto valor nutritivo, visual e sabor extremamente atraente, frisa.

Orgânicos e saudáveis

De acordo com Carlos e Tiago, as plantas são cultivadas em bandejas, sobrepostas em bancadas na estufa. É utilizado substrato orgânico certificado, sementes sem tratamento químico ou transgenia e água de poço artesiano.
“São considerados um superalimento por muitos nutricionistas”, relatam.

Em todo processo, apenas as bandejas ainda precisam ser recicladas. Na hora da venda na feira do produtor, restaurantes e diretamente na casa do consumidor, quem devolver a embalagem, ganha um crédito de R$ 1 na próxima compra.

Entre os benefícios, além da saúde, destacam a otimização do espaço, menor uso de insumos como substrato e água, além da possibilidade de manter a oferta o ano todo. “A estufa protege de intempéries como geada ou granizo”, explica Carlos.

A empresa é uma das dez selecionadas no parque tecnológico da Univates, dentro do programa Pro_Move Lajeado. O objetivo é instituir os alimentos na merenda escolar.

Superalimentos

Estudos apontam que variedades como rúcula, repolho roxo e manjericão, por exemplo, possuem concentrações de nutrientes até 40 vezes maiores que os mesmos vegetais quando adultos. Para os jovens empresários os mini vegetais são uma ótima forma de incentivar nas crianças o hábito de comer verduras e legumes. “As cores vibrantes atraem. Elas podem colher na bandeja, limpar e depois preparar para o consumo”, observa Carlos.

Os alimentos são usados em sucos, saladas, sanduíches, pizzas, risotos sopas, como tempero ou para finalizar pratos, pois têm apelo estético.

Certificação orgânica

Conforme Artur Eggers, chefe do escritório da Emater de Forquetinha, o cultivo é novo na região, mas bastante promissor. “Não são brotos. Estes já tem duas folhas e realizam a fotossíntese”, explica.

Possuem cores vibrantes e alto valor nutricional, com sabor acentuado e crocância, muito bem aceitos pelas crianças. “Por chegarem ao consumidor em bandejas, trazem a sensação de poder colher o próprio alimento, como se fosse tirar direto da horta”.

É recomendado cultivar em ambiente protegido para conseguir manter a oferta constante o ano todo. “O ciclo é curto. Irrigação, temperatura e substrato exigem cuidados”.

No caso da propriedade de Tiago e Carlos, esta possui certificação orgânica, concedida pelo Organismo de Controle Social (OCS) Orgânicos do Vale e pelo Mapa, o que traz credibilidade e mais confiança a quem consumir.

Fotos e texto Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Forquetinha