Com perdas acima de 50%, município decreta situação de emergência

Lavouras de milho, soja e produção leiteira são as atividades mais afetadas. Abastecimento de água potável preocupa

As perdas na lavoura de milho do produtor Ramon Feil, de Bauereck alcançam uma média de 50%. Neste ciclo foram cultivados em torno de 20 hectares. Com chuvas regulares, a estimativa era de colher mais de 150 sacas por hectare. “É triste ver este cenário. Colhemos uma média de 75 a 80 sacas. Além dos prejuízos, o custo com insumos nesta safra duplicou e reduz ainda mais a margem de lucro.”

Nos 30 hectares de soja o resultado deve ser pior caso a umidade não retorne nas próximas semanas. “Tem muita área onde as sementes não germinaram. Outras com apenas 40%. Se esta situação persistir, as perdas serão bem maiores em relação ao milho. Presto serviços de máquinas em outras propriedades e posso afirmar, a situação é a mesma ou até pior.”

Com base no relatório de perdas emitido pela Emater e Secretaria de Agricultura, a administração municipal decidiu decretar situação de emergência na última sexta-feira, dia 7. Conforme o prefeito em exercício Grasiani Galli (MDB) a situação é extremamente preocupante e as perdas nas lavouras são irreversíveis.

Define a situação como “terrível” e preocupante. Lembra que o quadro se parece ao de outra estiagem de dois anos atrás, que também causou efeitos severos. O agravante, porém, é que a falta de chuva na seca atual começou ainda mais cedo.

As pastagens secas dificultam a alimentação do gado leiteiro. A falta de umidade prejudicou o desenvolvimento das lavouras de milho destinadas para confecção de silagem e grãos, além da semeadura de soja. “Estão secando todas as vertentes, açudes e até os arroios. Buscamos auxílio do governo estadual para auxiliar com medidas que possam amenizar as perdas e trazer algum alívio aos produtores.”

Abastecimento

A estiagem prejudica o abastecimento de água potável para o consumo humano e de animais em várias comunidades do interior. Por dia são transportados mais de 100 mil litros por caminhões pipa.

“Pedimos a colaboração e o uso racional. Caso não haja essa conscientização e os prognósticos climáticos se confirmarem até março, todos poderemos ficar sem água. Nossos servidores não têm medido esforços para que as comunidades estejam abastecidas, mas todos precisam cuidar. O trabalho de abastecimento é diário.”

Galli coloca o poder público à disposição da comunidade. “Nós estamos ao lado dos nossos produtores e nunca os deixaremos desassistidos. Contem com a gente para o que for necessário.” Os pedidos para abertura de reservatórios ou transporte de água podem ser feitos pelos telefones (51) 3613-2174 ou 3613-2414.

Prejuízos irreversíveis

Segundo o extensionista da Emater/RS-Ascar, Arthur Eggers, as perdas nas primeiras lavouras de milho chegam a 40%. “Estas foram implantadas cedo e conseguiram se desenvolver. Já o do tarde, estas sim têm perdas grandes e aumentam diariamente. Outra parte da área nem chegou a ser plantada pela falta de umidade.”

O milho silagem atinge o percentual de 50%, pois a falta de chuva prejudicou o desenvolvimento e as altas temperaturas fizeram as plantas secarem. “Temos perda na qualidade e produtividade. Mesmo com as chuvas esparsas, o cenário deve piorar nas próximas semanas.”

Já na soja houve problemas na germinação e muitas áreas nem chegaram a ser semeadas. “Podemos chegar a 70% ou mais de queda na produção caso o cenário persistir.”

Outro segmento atingido é a produção leiteira com queda de até 50% em algumas propriedades. O reflexo destas perdas será percebido nos próximos meses. Com a falta de alimento ou pouca oferta dele, o custo terá aumento. O produtor será obrigado a comprar mais ração ou mesmo silagem e com isso o lucro será menor ainda, projeta.

Estimativa de perdas

Milho silagem – 50% (área cultivada – 1,1 mil hectares – queda de 500 em relação ao ciclo anterior) – R$ 6.256.250,00

Milho grão – 40 % (área cultivada – 350 hectares – queda de 100 em relação ao ciclo anterior) – R$ 1.848.770,00

Soja – 40% (área cultivada – 250 – queda de 100 em relação ao ciclo anterior) – R$ 814.072,00

Produção de leite – 50%

Fotos e Texto Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Forquetinha