Stoll: o alemão considerado o rei do trombone

Com o instrumento na mão, roupa típica alemã, um largo sorriso no rosto e muita disposição o popular Stoll anima a vizinhança em Forquetinha com sua música enquanto os bailes não voltam

Ao chegar à Forquetinha, pela Avenida Martin Luther é comum ser recebido ao som do trombone. Figura conhecida na cidade e todo Vale do Taquari, o músico Claudino Waldir Leipnitz, o popular Stoll, passa boa parte do dia ensaiando para estar afinado quando os bailes e festas voltarem.

“A música é o segredo para viver mais feliz. Aqui todos já estão acostumados com o som. Às vezes, entre uma valsa e outra, sai até uma dança entre os vizinhos (risos)”, brinca. Natural de Linha Atalho, interior de Marques de Souza, aprendeu a tocar o instrumento aos 19 anos.

Na época, para evitar a sua saída da lavoura, o pai optou em comprar um trombone. “Meus vizinhos tinham a bandinha Richter e levei dois anos para aprender a tocar. Foram horas de ensaios e dedicação até encontrar o tom e a melodia certa.”

Com o dom aprimorado, passou a animar bailes, festas e casamentos subindo ao palco com bandas renomadas e tradicionais do Vale do Taquari, como por exemplo, Os Tropicais, Geniais, Panamá, Tropicais, Bandinha do Alemão Müller e o Renovação, banda o qual ainda é sócio e músico até hoje.

Entrevista

Como surgiu o interesse de tocar este instrumento?

Stoll – Quando eu decidi sair de casa e buscar um emprego na cidade na minha juventude. Para me convencer a ficar o meu pai comprou um instrumento musical, o trombone. Ele tocava gaita. Aprendi com meus vizinhos. Ingênuo, na época aceitei o presente e fiquei na lavoura. Mas nunca me arrependi, pois a música tornou a minha mais alegre, fiz tantas amizades e conheci tantos lugares. Tornei-me uma pessoa melhor, por que nada paga ver as pessoas dançando, sorrindo e se divertindo. Até hoje guardo o meu primeiro trombone, está com mais de 130 anos e funciona muito bem. Às vezes tiro a ferrugem dele (risos).

De onde vem o apelido Stoll?

Stoll – Ninguém conhece meu nome e muito menos meu sobrenome. Minha marca é a roupa típica alemã que hoje diariamente. O meu chapéu é mais popular que a cachaça na bodega. Onde eu estou eu uso ele, seja no trabalho ou na hora de animar um baile. O apelido veio por que quando meu pai casou com a segunda mulher ela tinha o sobrenome Leipnitz. Dos seis filhos, três levaram o sobrenome Stoll e os outros Leipnitz, entre eles eu. Mas pela forte ligação e aparência com meu pai, me apelidaram de Stoll. Na maioria dos locais aonde vou já me conhecem como Stoll: o rei do trombone.

O senhor tem ideia de quantos bailes já animou?

Stoll – Meu deus! No auge da nossa banda chegamos a animar mais de 140 eventos por ano. Chegamos a subir no palco até três vezes por fim de semana e ainda animávamos bailes de terceira idade durante a semana ou festas particulares. Apresentei-me em mais de 200 casamentos em mais de quatro décadas de profissão. Cada apresentação dura em média 5 horas a fio. A gente além de tocar, dança, sobe na mesa, na copa, no telhado, vai até a cozinha, faz trenzinho. Vale tudo para animar as pessoas.

Qual o baile que mais lhe marcou?

Stoll – Todos são especiais e únicos. Mas o baile de Chopp que animamos em Arvorezinha para mais de três mil pessoas foi épico. Era tanta gente no salão que tinha fila para tudo, desde as chopeiras até o banheiro. Passamos a noite em meio à multidão tocando e bebendo muita cerveja. Ninguém queria ir para casa no fim. Nunca tinha me divertido tanto.

Como vocês convivem com a falta de bailes?

Stoll – Somos entre quatro músicos e já estamos há dois anos sem tocar um baile sequer. As pessoas estão começando a nos chamar para ensaiar na casa deles. Em troca nos pagam um churrasco e cerveja. A vida sem música, sem dança e sem essa integração é muito triste e solitária. Eu não tenho vícios. Não bebo, não jogo e nem vou ao bar. Minha vida é tocar trombone e trompete. Se Deus quiser, quando todos estiverem vacinados, a gente volta aos palcos. Quero “avermelhar” os instrumentos de tanto tocar (risos). Em breve voltaremos e vamos fazer muitos bailes de sol a sol, afinal todos estão bem descansados.

Fotos e Texto Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Forquetinha